
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Maceió nesta quinta-feira (24) para cumprir uma agenda estratégica na reta final da campanha eleitoral. A visita atende a um pedido do clã Calheiros e tem dois objetivos principais: reforçar a candidatura de Renan Filho (MDB) ao governo de Alagoas e pedir votos para a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB), aliado histórico do petista.
A movimentação ocorre após Lula retornar da viagem aos Estados Unidos, onde participou da Assembleia Geral da ONU. Antes de chegar a Alagoas, o presidente cumpriu agenda em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, onde fez um aceno ao setor naval e associou a retomada da indústria na região à geração de empregos. A agenda fluminense previu promessas de investimentos no Comperj e no eixo São Gonçalo-Itaboraí, além da ampliação da atividade naval em Niterói e São Gonçalo, principal reduto eleitoral de Douglas Ruas.
Na corrida pelo governo estadual, Renan Filho tenta reduzir a vantagem de JHC (PSDB). Pesquisa do Instituto Paraná divulgada na segunda-feira (21) mostrou o ex-prefeito de Maceió com 48,6% das intenções de voto, contra 41,6% do ex-ministro. O levantamento ouviu 1,4 mil eleitores entre 18 e 20 de setembro e tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais.
Nos bastidores, porém, integrantes da campanha de Renan Filho afirmam que trackings internos mais recentes já apontam crescimento do emedebista e um cenário de empate técnico. A aposta do grupo é que a presença de Lula ajude o ex-ministro a avançar sobre JHC nos últimos dias antes do primeiro turno. O entorno de Renan Filho também espera um discurso mais duro de Lula contra o adversário.
Aliados dos Calheiros consideram que JHC rompeu um acordo político costurado anteriormente em Brasília. O acordo previa que JHC não disputaria o governo estadual depois de Lula indicar a tia do então prefeito, Maria Marluce Caldas Bezerra, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ). À época da indicação, em 2025, a movimentação foi tratada nos bastidores como parte das articulações para a sucessão estadual de 2026. Marluce teve a indicação aprovada pelo Senado em agosto de 2025.
A presença de Lula também é considerada importante pelos Calheiros para a eleição ao Senado. Em Alagoas, os eleitores escolherão dois senadores em outubro, e as pesquisas mostram uma disputa embolada pelas vagas.
Levantamento RealTime Big Data divulgado em 15 de setembro apontou Renan Calheiros com 22%, Marina JHC (PSDB) com 21% e Arthur Lira (PP) com 19%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Davi Davino Filho (Republicanos) aparecia na sequência, com 17%.
A Paraná Pesquisas, divulgada dias depois, também mostrou uma disputa apertada: Lira apareceu com 41,2%, Marina JHC com 37,8% (empatados dentro da margem de erro, que é de 2,7 p.p.) e Renan Calheiros com 34,6% (que empata com Marina).
Aliados dos Calheiros trabalham com a possibilidade de Marina conquistar uma das duas cadeiras e avaliam que a outra pode ficar entre Renan e Lira. Por isso, esperam que Lula faça um pedido explícito de votos para o senador durante o ato em Maceió.